28 de julho de 2020

Meu anjinho de quatro patas que se foi

"11 de Junho de 2006 a 28 de Junho de 2020"
Me sento a frente do teclado e não sei o que exatamente escrever, mas tenho consciência de que preciso dizer algo, desengatar essa coisa ruim que esta no meu coração, então tentarei apenas soltar a mente e pondo em harmonia as palavras que surgirem. Ha muito muito tempo, eu morava sozinho numa grande casa até que um dia eu fui presenteado com uma felina vira-latas que havia sido jogada no lixo ainda quase que recém nascida. Apesar de seu pouco tamanho, dei-lhe um banho e a alimentei com ração para gato adulto a qual ela devorou como se não houvesse amanhã. Seu nome? Bem, como uma forma de paródia, a batizei como "Myaudita Villa Lobos II". Mas nunca realmente a chamei assim, seu nome sempre era ou "Menina" ou "Molequinha".
Sua data de nascimento estimada seria em torno de 11 de Junho de 2006, ela me foi dada de presente por um grande amigo chamado Saddy no meu aniversário de 27 anos. Conforme ela ia crescendo, já ia me surpreendendo com muitas coisas (Como se uma quase feto comendo ração já não fosse suficientemente surpreendente).
Ela tinha o costume de simplesmente desaparecer da minha vista num piscar de olhos ou numa curta distração, e ela tinha uma brincadeira com as bolinhas de papel que era surpreendente. Teve um momento em que enquanto lavava louça, a ví sentada no chão me olhando, quando olhei pra pia e depois olhei pra ela, a menininha não estava mais lá, já estava em outro lugar. Ela tinha o costume de pegar com a boca uma bolinha de papél, pular com a bolinha na boca e, em pleno ar, jogar a bolinha pra cima e estapear com as patinhas. Era muito legal ver isso.
Ela simplesmente não suportava banho, mas depois de banhá-la, eu a envolvia numa toalhinha e depois a abraçava transferindo o meu calor para ela, e eu percebia que ao menos isso ela gostava. Uma vez ela fugiu de casa, mas rápido eu a encontrei porque eu balançava o saco de ração e ela miava como se dissesse: "Hey! Estou aqui! Quero voltar pra minha casa." Infelizmente, por morar sozinho, quando eu saía para trabalhar, ela ficava sozinha. Mas quando eu chegava do trabalho, ela sempre estava lá ao pé da grade me esperando e me observando enquanto me aproximava.
Ela por ode quer que eu fosse, enquanto eu caminhava, ela andava se atravessando no meu caminho, quando eu abria a porta da geladeira, ela vinha pra perto bisbilhotar o que havia dentro, tanto que ao fechar, eu precisava dizer: "Tira o cabeção!", era muito curiosa e se apropriava das caixas de sapatos que tinhamos em casa, não importava o tamanho, a "molequinha" dava um jeito se comprimir o corpo pra caber dentro, e olha que ela era uma gata grade (Mas não era gorda).
Durante as manhãs, ela tinha uma mania de invadir o quarto logo cedo, ela se colocava de duas patas e ficar batendo na ponta do meu nariz até eu acordar. Confesso que tomava sempre um susto quando abria meus olhos e dava de cara com a carona dela bem na minha frente.
Bem! Fomos levando a vida, muitas coisas acontecerem, bastante tempo se passou até que 2020 chegou, um ano triste, um ano penoso, um ano desgraçado por várias razões. A minha menininha que nunca se quer havia adoecido começou a apresentar problemas de saúde, fizemos exames e ministramos as medicações, coisa que ela não gostava nem um pouco, mas mesmo assim sua saúde foi se deteriorando, até que numa manhã eu acordei e ela estava andando esquisito, caminhando torto, rejeitando comida e assim que bebesse a água, logo ela botava pra fora.
Bem. Hoje ha mais ou menos umas 5:45 da manhã, eu acordei e fui olhá-la e ela estava respirando de uma forma muito angustiante, eram intervalos grandes entre uma respiração e outra, como se cada respiração fosse uma puxada de fôlego. Durante esses momentos em que rapidamente ela definhou, eu colocava meus dedos indicador de médio no peito dela e sentia o coração dela forte e acelerado. Mas nesses momentos finais, estavam fracos e descompassados. Até que por fim ela deu o ultimo suspiro, comigo e com a minha esposa ao lado sempre conversando com a "Menininha".
"Molequinha! Foi muito bom ter tido você ao meu lado durante todos esses anos. Você me ajudou durante a minha depressão e me acompanhou durante mais de uma década, eu me diverti demais com suas travessuras. Me perdoe do fundo do coração pelas minhas falhas, e gostaria de encerrar dizendo que eu te amo muito viu? E que jamais vou te esquecer. Viu, menininha? Te amo e adeus."

J.F. Souza (Yoz)

10 comentários:

  1. Que pena! Muito triste essa situação. Desde os meus 9 anos (hoje tenho 35) sempre convivi com gatos em casa. Quando morava com meus pais, chegamos a ter até quatro gatos ao mesmo tempo, tendo gatos que viveram muito (16 anos) e outros que, seja por acidente ou doenças diversas, acabaram nos deixando mais cedo. Sempre é um momento de grande tristeza essas partidas. Hoje convivemos com dois gatos, e, infelizmente, sabemos que não perenes. Infelizmente é o preço que se paga por dedicarmos tanto carinho nos bichinhos. Muita força pra vocês!

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    1. Obrigado pelo comentário. É uma pena eles viverem muito pouco

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  2. Meus pêsames Yoz pela sua perda kra lhe desejo muita força pra você nesse momento da sua vida.

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    1. Obrigado, tem sido bem difícil porque tudo na casa lembra ela.

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  3. Yoz, meus sentimentos. Sei como é perder um amigo de quatro patas, passei por isso mais de uma vez e é sempre muito difícil.
    Obrigado por compartilhar as histórias da Molequinha com a gente! Para mim, essas coisas mostram como esses anjinhos (como vc mesmo chamou) são as melhores companhias que a vida pode nos proporcionar.
    Força aí!

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    1. Obrigado, como ainda esta muito recente, esses dias tem sido ainda bem difíceis. As vezes estamos bem aqui em casa, mas sempre vem as recordações dela viva e acompanhando a gente pela casa.

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  4. Que texto bonito Yoz. Força, eu penso nas minhas gatas como companheiras também. Espero que esteja tudo bem com vocês aí. A molequinha viveu muito e por ter vivido com vocês, viveu feliz isso é o que você deve se lembrar, de como essa troca foi importante pra vocês e pra ela. (nunca comento aqui e visito de tempos e tempos, mas esse post me deixou emocionado).

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    1. Eu tenho pensado muito nela, muitas saudades. Mas eu sinto que essa tristeza vem se transformando aos poucos em outra coisa não tão triste.
      Obrigado pela visita, o blog anda meio parado.

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  5. História emocionante ! Nós aqui tb perdemos nossa gatinha no ano de 2020 ...muita força pra ti ,abraços.

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