2 de janeiro de 2015

Rolf Landale e o espírito de Megid (Recordações)

Cada um de nós possui uma maquina do tempo naturalmente embutida em nossas mentes, esta nos move de forma regressiva com a força dos sentimentos em desobediência a até mesmo a lei da natureza unidirecional continua temporal. Por vezes essa força nos permite estacionar num determinado período que por alguma razão nos é marcante, quer sejam por boas, ruins ou péssimas recordações. Mas a minha experiência de vida determinou que quanto mais o tempo passa mais as más lembranças se tornam pequenas, e o que resta de bom se torna tão grande que aniquila as más sensações provenientes dessa época. Isso quer dizer que um dia você contraditoriamente e repentinamente será apanhado pela vontade de regressar à esse período a qual foi assolado por coisas ruins, mas revivendo somente os bons momentos, e quem sabe até se orgulhando por ter vencido o caminho dos espinhos a qual você passou e prevaleceu.

"Eu gostaria de saber o que as pessoas verão no final dos tempos"

Quando essa máquina do tempo mental nos move para frente, chamamos essa força de “imaginação” (Sonhos?), esta também é movida tanto pelo doce combustível daquilo que desejamos de bom, quanto pelo poluente destrutivo que esperamos de ruim. Mas esta sinergia conflitante entre o que desejamos e esperamos com certeza é a mais difícil de controlar, e a mais poderosa porque nos impulsa ao que ainda não aconteceu tanto de forma positiva quanto negativa. Não que a mera força da vontade seja o fator preponderante para que alcancemos qualquer que sejam as realizações. Até porque são necessárias as ações de diversos fatores além de nossa própria força e querer que agem para que algo aconteça, mas a vontade ainda assim é tudo o que muitas vezes nos resta em nosso caminhar.


Imagem ainda em estágio de rascunho criado por Sotério Salles

O que irei narrar agora é apenas uma parte de um dos momentos mais complicados de minha existência nesta bola de lama chamada Terra, onde o quantitativo de más recordações excede em muito as boas memórias. Todavia cada passo em falso que damos neste mundo, contribui para o nosso desenvolvimento assim como um osso quebrado quando reposto no lugar se torna tão forte ali naquela ligadura que se houver outra fratura ele se partirá em qualquer outra parte, menos naquele a qual houve a lesão. O momento meritório de tudo aconteceu no dia 18 de Agosto de 1999, quarta feira, de tarde, por volta das 15 horas, horário de Belém. Não lembro se chovia ou se o dia estava ensolarado, mas prefiro imaginar um tempo nublado e chuvoso para tornar a lembrança mais agradável do que extremamente ensolarado, abafado e quente como provavelmente aconteceu. Eu estava terminando a pixel arte (Imagem a seguir) customizada do protagonista de um jogo de vídeo game chamado Phantasy Star II, seu nome: Rolf Landale.

O espírito de Megid o transformou em Dark Landale, pixel art customizada por mim

Era uma época extremamente complicada, eu trabalhava basicamente por comida na ultima locadora a qual exercia as várias funções diversas, minha vida familiar estava totalmente destruída e eu não tinha expectativa para arranjar um emprego ou se quer me formar (E isso levou muito teeeemmmpo para mudar). A ausência total de apoio contribuía bastante, por isso, eu me apegava a games e animes muito mais que o normal tornando desses mundos de fantasia o meu lar de escapismo espiritual. Lembro-me que nesse período eu também gostava muito de Dragon Ball Z, e certo dia, eu vi uma imagem do Goku como Super Sayajin 4, mas eu não fazia a menor ideia do como e porque ele se transformara naquela forma tão agressiva.

Goku Super Sayajin 4

Na saga dos Sayajins, início da série Z, somos informados de que o Goku era uma criança muito agressiva por conta de sua natureza Sayajin, até que num belo dia ele caiu em um precipício recebendo um golpe quase fatal em sua cabeça, ao se recuperar, ele, Goku, se tornou uma criança calma, dócil e bondosa. 

Imagem com a narrativa do próprio Mestre Kame (Muten Roshi para os otakus)

Mas naquela época o meu acesso a internet era tão precário que por conta disso eu não sabia do que se tratava esse tal Super Sayajin 4. Então, para preencher as lacunas eu imaginei equivocadamente a seguinte justificativa: A de que fosse uma versão do Goku que havia readquirido sua natureza agressiva e sanguinária, todas aquelas propriedades ruins que ele possuiu antes de bater com a cabeça (Kakaroto?).

Goku se transformando em macaco gigante

Entretanto, na verdade, Goku obtém essa transformação na série Dragon Ball GT, na saga de Baby, ao olhar para a Terra (que estava com a iluminação semelhante a da lua), ele se torna um Oozaru (Macaco gigante) e logo depois em um Oozaru dourado, e quando vê sua neta Pan chorar, sua fúria se contém e ele recobra a consciência, que o leva a se transformar em Super Saiyajin 4 (E eu levei muito tempo para descobrir isso).

Goku se torna Super Sayajin 4. Saiba mais sobre a história de Goku clicando AQUI

Outra coisa de que me lembrei, é que naquele período eu jogava muito o Dragon Ball GT Final Bout do Playstation 1 (http://youtu.be/2Df-pYkKxQg), um jogo que eu gostava de mais apesar de ser um tanto mal programado, lento, travado, mas com uns gráficos até bons com algumas músicas empolgantes (O que dizer da música tema do Sayajin 4 http://youtu.be/p6yoa2Aju3M?). E justamente o personagem que eu mais gostava de jogar era o Goku transformado em Super Sayajin 4:

Assista algumas lutas do Goku SS4 clicando AQUI

Foi daqui que surgiu a maior inspiração para eu criar um Rolf dominado por aquilo que eu denominei como “Espírito de Megid” que é uma referência direta a um ser chamado Re-Faze a que reside na Anger Tower no Phantasy Star IV e que nos concede a Técnica Megid se passarmos no teste de habilidade em controlar as emoções.

Derrotar Re-Faze com a força, NÃO é o verdadeiro caminho para o poder

Em Phantasy Star II Megid é uma técnica que além de consumir 55 TP’s de Rolf ele provoca uma grande explosão que afeta todos os inimigos. É tão poderosa que consome metade dos pontos de vidas de todos os personagens, menos de Rolf. Curiosamente não é tão somente uma técnica usada por Rolf, mas foi nas mãos dele que a referia técnica teve sua primeira aparição, como se o próprio Rolf, e eu prefiro acreditar nisso, a tivesse criado. Mesmo porque, no Phantasy Star IV, Chaz, protagonista principal desse jogo, só pode adquirir essa técnica por circunstâncias especiais. Saiba mais sobre as técnicas de Phantasy Star II clicando AQUI.

Megid em Phantasy Star II atinge até seus amigos

Observação: A palavra Megid provem de Megido, que nos tempos antigos era uma importante cidade-estado. De acordo com algumas interpretações da Bíblia cristã, será neste lugar onde ocorrerá o Armagedom ou a batalha final entre as forças da luz lideradas por Jesus Cristo e as forças das trevas lideradas por Satanás ou Anti-Cristo depois do Fim dos Dias.

Então, para criar esse Dark Landale (Que inclusive eu tenho um email com esse nome), eu fiz uma estranha associação entre a minha justificativa pessoal e equivocada de um Super Sayajin 4 e sua aparência e a magia Megid que, segundo o próprio Phantasy Star IV, são sentimentos de raiva e ódio transformado em poderes de destruição. Já disse e repito, o Rolf foi basicamente o "criador" dessa magia, eu imaginei uma situação em que ele foi dominado por esse sentimento de Destruição afetando até sua aparência. Vários anos depois, conversando com o meu amigo Sotério Salles (https://plus.google.com/u/0/+SoterioSalles/posts), perguntei a ele se havia a possibilidade dele redesenhar essa versão do Dark Landale numa qualidade maior, e este foi o resultado:

Esta arte já se tornou minha imagem padrão do perfil do G+
;-)

Muitas recordações me vêm à mente do momento quando eu estava trabalhando nessa pixel art, lembro que reconstruí parte da cabeça dele, e ajustei as cores, alterei outros aspectos da expressão facial como a boca só para ilustrar (E imaginar) ele, o Rolf, como sendo um personagem dominado pelo espírito do Megid. Mas o que me moveu a customizar esta pixel-arte? Teria sido meramente uma atitude de escapismo, ou seria um reflexo psicológico ansiando pelo emanar de uma força interior que fosse capaz de me arrebatar daquela situação?

Não sei direito a resposta a essa pergunta...

Sabem o que eu realmente espero com esse texto? Que as pessoas olhem um pouco pra dentro de si próprias e reconheçam que existem vários processos mentais estranhos que rendem frutos aparentemente “nada haver”. Muitos deles surgem em momentos de extrema dificuldade, não que o valor disso seja somente nos somente os momentos ruins, mas também as coisas que observamos do mundo e que nos fazem criar associações intimamente pessoais e aparentemente esdrúxulas. Também espero que este seja um texto que não apenas incentive e dê forças a você em dificuldades a despertar em seu interior talentos que você pode até não imaginar que possui. Você pode olhar o momento e acreditar que não é capaz de nada, demonstrando que não tem fé em sí próprio, quando na realidade, tudo o que você precisa é tentar.

Tentar!

Caros leitores do Desconstrutor, para uns isso tudo pode ser um tremendo absurdo, mas para outros espero que sirva de algo a mais, de algo importante. Quando o Sotério me enviou essa imagem “remakeada”, eu simplesmente fiquei sem palavras, varias recordações agora com décadas de idade vieram à mente junto a um turbilhão emocional de palavras e imagens ofuscada por uma memória distante, e por isso resolvi dedicar um post especial sobre isso esperando que vocês tenham gostado.

E essa foi uma parte de toda a história, das raízes do Desconstrutor...

Feliz ano novo e até a próxima!

7 comentários:

  1. Ótimo texto manolo... Que sirva de exemplo. Não pra dar lição de moral ou coisa do tipo mas pra que o lado criativo das pessoas seja despertado. Mesmo que em momentos difíceis...

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  2. Criar personagens para nos ajudar a passar por dificuldades ajuda bastante. Falo por experiência própria. Ótimo texto, e ótima arte do Soterio.

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  3. A sua foto do perfil tem um significado bem legal.

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  4. Belo texto e ele mostra muito a nossa realidade, onde passamos por dificuldades extremas mas que, por necessidade, nos "viramos" com atitudes que não percebemos que existiam em nós.
    Valeu!

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  5. E pensar que o Soterio escondeu por um tempo esse talento né hahaha, ótimo texto mano

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  6. Realmente passamos por muitas dificuldades neste mundo, eu já passei pro problemas emocionais e familiares e sem bem como é... Mas um dia tudo se resolve o tempo passa e as coisas mudam. Muito bom o texto!

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