15 de agosto de 2026

Além do Game Over

Já faz algum tempo que minha vida vem atravessando mudanças profundas, e eu sou do tipo que, por natureza, repudio a idéia de que as coisas mudem. Desde aquelas que alteram somente uma rotina, quanto as mudanças mais homéricas, que são aquelas que deslocam o eixo pelo qual a minha própria existência se orienta. Algumas dessas mudanças chegaram a tocar a fronteira do traumático psicológico e, de certa maneira, refletindo no meu estado físico, como se certos acontecimentos tivessem decidido atravessar a superfície tranquila dos dias para revelar camadas mais densas e desconfortáveis da realidade. Ainda assim, curiosamente, o silêncio deste blog começou um pouco antes dessas tempestades pessoais. A última publicação repousa ali, imóvel no tempo, datada de 29 de novembro de 2023, como uma pequena cápsula de memória digital esquecida em um canto da internet falando justamente sobre o meu pai. Recordo-me bem desse dia. Ele carregava uma leveza aparentemente comum, quase banal e, no entanto, estava situado a apenas vinte e quatro horas de um momento que, olhando agora em retrospecto, adquiriu um peso muito maior do que eu poderia imaginar: era a véspera do aniversário de 75 anos do meu pai, era o último aniversário que ele comemoraria.